LENDA DE SANTO ANTÓNIO CASAMENTEIRO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 08 Junho 2010 10:06

LENDA DE SANTO ANTÓNIO CASAMENTEIRO 

Diz a lenda, que numa pequena aldeia, havia uma imagem de Santo António milagroso. Uma rapariga habitante de lá da aldeia, de seu nome Maria da Paz, era uma rapariga fraquinha, magrinha, muito franzina, todos pensavam que tinha alguma doença. O maior desgosto que ela tinha era que nenhum rapaz olhava para ela. Ninguém queria namorar com ela. Todas as suas amigas tinham namorados. Todas iriam casar. Só ela não tinha ninguém. Era muito infeliz. Naquela aldeia reinava uma grande alegria. Era dia de Santo António. Dizia-se que era o padroeiro dos Casamentos. Todas as raparigas solteiras rezavam a pedir a Santo António que lhe arranjasse um marido. Maria da Paz também o fazia, todos os anos, mas... não resultava. Ia ao casamento de todas as suas amigas, e ela lá ia ficando solteira. Sempre que chegava a casa chorava e conversava com Santo António. Mas os anos iam passando e ela solteira ia ficando.

Naquele ano a festa era grande, pois casavam naquele dia as 20 raparigas solteiras que haviam na aldeia, excepto a Maria da Paz. A festa ia ser muito grande. Haviam foguetes, bandas a tocar e baile para dançar. No adro da Igreja estava uma mesa enorme cheia de comida. Era um verdadeiro banquete. Na missa o padre agradeceu a Santo António por ter abençoado aqueles jovens.

No final da cerimónia todos diziam: “Maria da Paz, agora só faltas tu. Quando será? Tens que arranjar um noivo, rapariga. Não podes ficar solteira.”- mais triste ela ficava. Silenciosas as lágrimas saíam dos seus olhos e caiam nos magros braços. Estava realmente infeliz. Ela tinha que sair dali. Fugiu para dentro da igreja, onde ninguém a visse. Não queria que a vissem a chorar. Ajoelhou-se no altar aos pés de Santo António e rezou.

Naquele momento algo mágico aconteceu: um enorme clarão de luz amarela iluminou a Igreja e uma voz soou: “Maria da Paz, porque choras?”

Maria da Paz deu um salto para trás sem perceber o que estava a acontecer. “Quem está aí? -  perguntou entre lágrimas e soluços.

“Calma, não te assustes. Não me chamaste? Estou aqui para te ouvir.” – aquela voz vinha do Santo António. Maria da Paz pensava estar a sonhar. Tudo á sua volta se estava a transformar. Começou a sentir um perfume estranho no ar.

“Vai, Maria da Paz. Vai para a festa e que este perfume te ajude a encontrar o que tanto procuras.”

Maria da Paz não conseguia falar. De repente tudo volta ao que era. A luz apagou-se a voz calou-se, apenas o perfume ficou no ar.

Quando saiu da Igreja um rapaz que ia a passar apercebeu-se que ela não estava muito bem e perguntou-lhe: “Menina, sente-se bem? Posso ajudá-la? Quer um copo de água?”

Maria da Paz estava branca como a cal e não conseguia falar. O rapaz levou-a ajudou-a a sentar-se debaixo de uma árvore, bem perto da Igreja. – “Está melhor? Quer contar-me agora o que lhe aconteceu? Alguém lhe fez mal? Diga-me se foi isso que eu vou à procura desse safado. Como é possível alguém magoar tão linda Senhora?”

Maria da Paz, disse-lhe que não, era apenas uma quebra de tensão, talvez devido ao calor. Apresentaram-se e ficaram até altas horas da madrugada a conversar, até que Maria da Paz ouviu o seu pai chamar. “ Prazer em conhecê-lo, Senhor. Meu nome é António Bento e sou primo da Genoveva, uma das raparigas que casou hoje. Aquela que casou com o Serafim da Farmácia. Peço desculpa mas fiquei encantado com a sua filha, permita-me que lhe diga, mas ela é linda.”

Os meses passaram e António Bento e Maria da Paz namoraram. Chegado ao dia de Santo António estavam de casamento marcado. Maria da Paz não queria acreditar que o seu sonho se estava a realizar.

A Igreja estava toda decorada com fitas e flores. Estava perfeito. Quando Maria da Paz chega á porta da Igreja algo estranho aconteceu: uma luz amarela iluminou o seu caminho e no ar sentiu-se um estranho cheiro de perfume. Que feliz que estava. Finalmente chegara o seu dia. De braço dado com seu pai, as suas amigas e maridos à sua volta e o noivo à sua espera no altar. Não podia desejar mais. Agora sim, era feliz.

No final da cerimónia estava preparada uma grande festa no adro da Igreja, mas Maria da Paz ficou para trás, para agradecer a Santo António ter ouvido as suas preces. Quando virou as costas para sair ainda pode ouvir: “Que sejas muito feliz.”

Agora sim, Maria da Paz era feliz.

 

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